Você já parou para refletir sobre o quanto coloca as necessidades dos outros acima das suas, quase sempre se colocando em segundo plano? Isso pode ser algo sutil no seu dia a dia, mas, com o tempo, essa constante anulação de si mesma(o) pode levar a sentimentos de frustração, exaustão e até de desconexão emocional. Ao valorizar tanto os outros, você vai perdendo a sua identidade, a clareza sobre o que é importante para você, e o mais grave: fica sem energia para cuidar de suas próprias necessidades.
A psicanálise nos ajuda a entender que esse comportamento pode estar vinculado a padrões de autossacrifício, frequentemente enraizados em uma necessidade de aprovação ou medo da rejeição. Muitas vezes, a pessoa que coloca os outros em primeiro lugar sente que só será amada ou aceita se estiver sempre disponível para o outro, sacrificando sua própria saúde emocional, suas vontades e seus limites. Esse é um padrão comum em pessoas que, em algum momento da vida, aprenderam que o amor e o carinho são conquistados por meio da satisfação das expectativas dos outros, ao invés de serem construídos de maneira mútua e equilibrada.
O que acontece quando você se deixa para trás?
Quando você constantemente se coloca de lado, suas necessidades emocionais e físicas não são atendidas. Isso gera um ciclo de insatisfação e, eventualmente, você pode se sentir esgotada(o), sem energia e, muitas vezes, desconectada(o) de si mesma(o). Isso acontece porque, ao não se dar o valor que merece, sua autoestima vai sendo comprometida, levando a um sentimento de vazio. Esse comportamento pode vir de uma falta de autoconhecimento ou da crença errônea de que você precisa agradar os outros para ser válida(o).
Como começar a resgatar o seu lugar?
- Reconheça suas necessidades e desejos. O primeiro passo para mudar esse padrão é começar a perceber o que você realmente quer, sem a interferência das expectativas externas. Quais são os seus desejos, suas paixões, e o que te faz bem? Muitas vezes, estamos tão imersas(os) nas necessidades dos outros, que esquecemos de olhar para o que alimenta a nossa alma. Quando você começa a se reconectar com suas próprias vontades, o caminho para o autocuidado se torna mais claro.
- Pratique o autocuidado de maneira intencional. O autocuidado não é apenas um luxo ou uma forma de indulgência, mas uma necessidade emocional essencial. Reservar um tempo para si, cuidar da sua saúde mental e física, pode ser um ponto de partida para estabelecer um novo padrão de respeito por si mesma(o). Isso implica em reservar momentos para descansar, refletir, se alimentar bem e, acima de tudo, respeitar seus próprios limites.
- Aprenda a estabelecer limites saudáveis. Quando você aprende a dizer “não”, sem culpa, está reafirmando seu direito de existir e de ser cuidada(o). Muitos relacionamentos disfuncionais se baseiam na ideia de que, ao sempre dizer “sim” para os outros, estamos fazendo algo positivo. No entanto, esse comportamento só leva ao esgotamento emocional. Estabelecer limites claros, ao contrário do que muitos pensam, é um sinal de autocuidado e respeito pelos próprios sentimentos e necessidades.
- Reconheça o impacto de sua história. Muitas vezes, esse comportamento de colocar os outros em primeiro lugar é fruto de experiências passadas, seja por pressão familiar ou por padrões emocionais que você aprendeu na infância. Reconhecer esses padrões e como eles afetam sua vida adulta é fundamental para começar a mudar. Muitas vezes, a necessidade de agradar os outros está vinculada a uma crença de que somente assim você será amada(o) ou aceita(o). Quando você começa a questionar essas crenças e a entender a raiz delas, a mudança se torna possível.
- Resgate sua autoestima e valor pessoal. Um passo crucial é aprender a valorizar a si mesma(o) de forma genuína. Isso não significa ser egoísta, mas reconhecer que, para estar em relacionamentos saudáveis e equilibrados, você precisa ser capaz de se valorizar, se respeitar e de cuidar de suas próprias emoções. Isso significa dar-se a permissão para priorizar seu bem-estar e dar o devido peso às suas escolhas.
Você pode começar agora!
A boa notícia é que tem jeito. Quando você começa a se dar o valor que merece e a reconhecer suas próprias necessidades, você se coloca em um caminho de transformação e autoconhecimento. O mais importante é que, ao cuidar de si mesma(o), você será capaz de ter relacionamentos mais equilibrados e saudáveis, nos quais o respeito e o carinho sejam mútuos.
A mudança começa com pequenas atitudes e, aos poucos, você vai descobrindo o quanto você é importante e o quanto tem valor. O convite é para você dar o primeiro passo, se permitir cuidar de si mesma(o), não mais se anular e, finalmente, resgatar o seu lugar.